quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Astronomia & Astrologia

   Todo físico e muitos professores de física já passaram por este problema.
   Chega um leigo e começa com a seguinte sentença: "Tu que sabe física, o que pode me dizer sobre os signos?" Ou questões afiliadas a esta.
   Grande parte de pessoas que lidam com a física encontram, ou na minha opinião deveriam encontrar, grande dificuldade em acreditar em astrologia.
   É um fato que a astrologia já esteve fortemente ligada à astronomia e vice-versa. Quando teve início, no mundo árabe, a observação do céu uma das intenções era observar ciclos, repetições para que se pudesse prever o futuro. O nascimento da astrologia vem destas tentativas de previsões.
   É neste ponto que a astrologia nasce, pois estas previsões utilizadas para antever as estrelas que estavam no céus com uma certa altura, em um dado horário, antes da temporada de chuvas, passavam a ser utilizadas para prever também acontecimentos das vidas dos reis e dos líderes daquela sociedade. Foi montado então um esquema dentro do que era conhecido, já catalogadas algumas constelações (conjunto de estrelas fixas cujo o movimento durante o ano é muito mais lento que o de outros corpos como os planetas) reunidas primeiramente por um grego chamado Ptolomeu e o por isso os nomes gregos haviam sido mantidos (Leão, Virgem, Libra, etc).
   Quando a ideia de signos foi criada, funcionava mais ou menos assim: se quando a pessoa nascesse o sol estava passando pela constelação de touro, este seria seu signo. Passaram-se eras da criação da astronomia, os períodos que antes a constelação de touro se encontrava não mais o é. Após tantas eras o movimento de precessão da Terra, fez com que os períodos fossem modificados, logo, por exemplo, naquele período entre 21/11 à 22/12 em que a pessoa nascesse o sol antes estaria passando pela constelação de sagitário, hoje estaria com o atraso de um signo, pois o sol em nossa era passa por escorpião, nesta época do ano.
   Um outro fato que coloca em xeque as previsões feitas pela astrologia é que, por causa da precessão anteriormente citada, o sol passa por mais uma constelação, que antes não passava, a constelação de Ophiucus, ou seja, seria um décimo terceiro signo a ser levado em conta. O que a astrologia não leva em conta.
   Do ponto de vista de outras comunidades, quando olhamos para um conjunto de estrelas, temos uma imaginação que é levada conforme nossas experiências. Os gregos enxergavam o escorpião no céu pois entre suas lendas dizia-se que aquele escorpião que seguiu o guerreio Órion a mando de Zeus. Basta ver que no nosso país há toda uma astronomia feita por nossos indígenas.
   Os índios brasileiros têm suas próprias constelações, baseados em suas lendas e mitos. O saco de carvão, a Ema, o Homem Velho, e muitas outras. Estas utilizadas de sua própria forma para prever o futuro da natureza e dos indivíduos da sua sociedade.
   É intrínseco do ser humano querer saber o futuro, adivinhar as características de um outro indivíduo por algum tipo de mecanismo, ou simplesmente esperar que haja uma funcionalidade no universo que dê significado à nossa existência, é confortável pensar assim.
   Talvez por isso ou por não levar em conta os pontos que levantei aqui (e muitos outros) ainda haja tantas pessoas que acreditam na astrologia ou não saem de casa sem ler seus horóscopos. Aliás, já leu as previsões para o seu signo hoje?