sábado, 8 de fevereiro de 2014

Pequenos Futuros Cientistas...

   Sempre me surpreendo com as perguntas das crianças. Certo dia, ao ser pego de surpresa para uma substituição, deixei o conteúdo de lado e pedi aos alunos que me perguntassem  a vontade o que queriam saber, claro, com relação à ciência.
   O resultado foi uma enxurrada de questões, versavam principalmente sobre o estudo da astronomia. Era possível observar nos olhos de cada um (ou pelo menos de vários deles) a curiosidade e uma certa ansiedade em querer fazer a próxima pergunta que nascia da resposta da pergunta anterior. Fazendo um paralelo a ciência funciona mais ou menos desta forma, o cientista observa um fenômeno, faz a hipótese, testa esta hipótese, no caso de erro lança uma nova hipótese  e no caso de acerto tenta ir mais a fundo e explicar a razão do que fora observado se comportar assim.
   As crianças tem essa curiosidade, esta vontade de muito saber e crescem até uma certa idade com isto. A pergunta que me faço é em que momento isso é perdido. Quando encontramos estes mesmos alunos no início da adolescência percebemos que sua curiosidade parece diminuída com relação estes fatos. Parecem muitas vezes terem perdido a vontade de perguntar, e no que se refere à ciência, acabam vendo como algo chato, ou difícil, que significa estudar, tirar nota e passar de ano.
   Muitos, devemos admitir como professores, a culpa é de professores pouco inspiradores, que repetem todos os anos a mesma aula, com o mesmo conteúdo e com o mesmo "entusiasmo". Outras vezes é quando as crianças cheias de curiosidades, perguntam a adultos, que podem ou não ser professores, suas dúvidas e o adulto lhe apresenta com impaciência uma resposta do tipo: "Sei lá, pra que você quer saber isso?", ou " Que besteira!" ou ainda "Isso é algo muito difícil que você vai ver quando estiver na n-ésima série", diminui a curiosidade da criança lhe podando cada segundo que poderia ser de seu crescimento.
   Enquanto este adulto, mesmo sem saber a resposta, poderia simplesmente dizer que não sabe, que é algo, talvez ajudar a criança a encontrar a resposta ou dizer que ele irá aprender algum dia, mas não tentar impor aquele conhecimento como uma barreira, pois a criança internalizará aquilo e se tornará um muro para seu conhecimento futuro.
   Quantos de nós ao chegar na quinta, oitava série não chegamos cheios de medo da matemática que ouvíamos desde sempre que seria pior em um nível mais alto de estudo e que esta se tornaria impossível? Acredito que um comportamento por parte do adulto menos instintivo de se defender da pergunto e mais positivo no sentido de incentivar a criança a buscar o conhecimento ou esperar o momento de obtê-lo seja mais produtivo e muito menos traumático. Com isso muito mais crianças poderão chegar à sua adolescência e vida adulta não somente como cientistas que são, mas como pessoas questionadoras  e poderem sempre se surpreender com as questões e o conhecimento produzido pelas próximas gerações.